domingo, 21 de abril de 2013

RESPIRAÇÃO ABDOMINAL

 


Respiração abdominal baixa nível de ansiedade

*por Nicole Witek
Podemos aderir ou não ao sistema por detrás do yoga: esse sistema que nos explica que não se “vê” a energia vital, porém podemos “ver suas manifestações”, que anima tudo que vive.
Podemos ou não ter consciência dos novos conceitos da física quântica. Difícil entender, exceto para quem se interessa de perto.
Mas você já deve saber, ou pelo menos deve ter ouvido falar, sobre a respiração abdominal. Não se trata de algo abstrato, mas do jeito que nós funcionamos, de nossa mecânica respiratória.
Dizem as filosofias orientais que devemos “controlar” a função respiratória, que isso é fundamental.
Sabemos por experiência própria, que quando nossa respiração está agitada, frenética, superficial, nosso organismo inteiro está sofrendo de ansiedade. Podemos, voluntariamente e propositadamente, regular nossa respiração para nos dar um tempo para reorganizar nossa atitude perante um evento, uma decisão ou uma dificuldade que requer um pouco de distanciamento e um pouco de calma. Percebemos, por experiência própria, que controlar a função respiratória é a chave para o equilíbrio.
Hoje, por incrível que pareça, existem médicos e hospitais que encorajam a praticar técnicas de respiração: baseados e inspirados pelas técnicas orientais. Eles têm razão de, enfim, reconhecer a sabedoria do empirismo oriental e a ciência que decorre dessa observação minuciosa de cada estado do ser.
A fisiologia moderna descreve dois sistemas nervosos “autônomos”. Batizados assim porque, a principio* funcionam por conta própria, não se pode “mandar neles”. Esses sistemas gerenciam da forma como o meio externo ou interno lhes obriga: é frio, automaticamente meu corpo toma previdências que conscientemente não sou capaz de tomar. Quando se fica triste, mesmo não querendo, as lágrimas escorrem pelo rosto... Sistemas realmente “autônomos”.
- o sistema nervoso simpático está com a atenção do organismo voltada para fora, respondendo ao meio ambiente e o coloca em estado de alerta: é responsável pela estimulação da produção de adrenalina, aceleração do ritmo cardíaco, elevação da pressão arterial e muscular.
- o sistema nervoso parassimpático leva a atenção do organismo para dentro e abaixa as defesas: alaga o sistema com acetilcolina (sustância neurotransmissora), desacelera os batimentos cardíacos, abaixa a pressão arterial, relaxa os músculos, levando a um estado de calma.
Mecânica da respiração
Dentro da mecânica da respiração, o nosso modo de respirar pode ajudar um desses sistemas a domar o outro em certos momentos. Quando a inspiração e a expiração estão superficiais e quando só a caixa torácica se movimenta, como se respirássemos num corpete que espreme a cintura, o sistema simpático passa a dirigir e a ser o comandante.
Essa respiração está rápida demais e deixa a pessoa sem fôlego, mesmo quando estamos no meio de um esforço físico. Aniquila quase que completamente a contribuição do sistema nervoso parassimpático. Pode até, nos piores momentos, vir a desencadear uma violenta crise de ansiedade ou, nos melhores casos, podemos ficar mais sensíveis às agressões e tentações do mundo externo: irritados por pequenas coisas, com medo ou querendo fugir durante um incidente banal, com vontade de compensar com qualquer coisa que possa abaixar nosso nível de ansiedade como chocolate, bebida alcoólica, cigarro...
Ao contrário, uma respiração lenta e profunda coloca em ação o diafragma, que sobe e desce, permitindo que o ar, ritmicamente, vá até o fundo dos pulmões (colocando as mãos na cintura, podemos sentir que os polegares se afastam a cada inspiração).
Respirando dessa forma, o sistema parassimpático toma o comando e bloqueia os efeitos ansiogênico do sistema simpático: a tensão do corpo começa a baixar um pouquinho mais a cada expiração.
Não é de se surpreender que esse modo de respirar seja a condição para entrar em estado de meditação e outros estados de paz e tranquilidade. Medo, raiva, desejos inúteis, desaparecem com a suavidade desse sopro, desse hálito sagrado.
Você pode estar pensando que prestar atenção à respiração e respirar de maneira “abdominal” é muito difícil. Pode ser que sim, pois muitas pessoas perderam esse jeito de respirar, que sabiam fazer naturalmente desde o nascimento.
O bebê respira pelo abdome e, espontaneamente, pratica um método ensinado pelas grandes tradições espirituais como o yoga. Infelizmente, o adulto, sobrecarregado pelos deveres e pela ansiedade, perde esse jeito natural de respirar e acaba usando mais o tórax do que abdome para respirar, o que leva a mais tensões e mais ansiedade. Torna-se um círculo vicioso que, com um pouco de atenção e treino, podemos substituir por um circulo virtuoso, onde a cada dia estaremos mais tranquilos e serenos.
Mergulhadores profissionais e yogis são capazes de interferir – com treino dedicado – nas funções do sistema nervoso autônomo e de fazer proezas que nós nem imaginamos.


Os batimentos cardíacos do Jacques Mayol, o herói do filme “Le grand bleu” (Imensidão Azul em português - foto) passam de 70 a 20 por minuto quando ele mergulha. A calma e a serenidade deixaram os cientistas abismados. O Jacques Mayol idealista, purista, e espiritual treinava com técnicas de yoga. Não treinava com desejo de ter força, pelo contrário, treinava sem risco, com controle perfeito da respiração o tempo todo, tranquilamente. Ele praticava pranayama (técnica de respiração) todo os dias.
O Schneider ficou 15 min debaixo da água em 1930. Hoje se fala em apineia dinâmica (usa-se um balão para subir de volta à superfície), e é possível para um mergulhador ficar até 17 min sem ar, o que significa se opor voluntariamente a todas as regulagens do sistema nervoso autônomo: a pressão, a diminuição do oxigênio para o corpo, e principalmente para o cérebro, a compressão dos órgãos internos, a migração das massas sanguíneas para o espaço torácico, equilíbrio dentro das vias aéreas.
Respiração abdominal: Aprenda:
"Sinta a respiração tranquila como uma música de ninar você, como a canção da vida apaziguando você" Como você está nesta época do ano? Ansioso, impaciente e agitado? Está sempre pensando no futuro com expectativas? Anda e come depressa? Fala muito? Antecipa os acontecimentos, criando muitas fantasias em sua imaginação? Tem insônia e preocupação? Alimenta pensamentos negativos? Tem dores crônicas? Sente muitos medos?

Se a resposta é sim para muitas dessas perguntas, você precisa aprender a relaxar e ter uma melhor qualidade de vida.
O primeiro passo para melhorar é saber como você respira. Antes de começar a relaxar e a dissolver a ansiedade, você precisa conscientizar-se da sua maneira de respirar.
Esse é um aspecto muito importante para você começar a sentir apaziguamento, relaxar e meditar.
Existe uma relação entre a respiração e o nosso estado emocional. Quando estamos calmos, estamos respirando tranquilamente e quando estamos ansiosos, nossa respiração está agitada. A respiração e a mente estão intimamente ligadas. Ao aquietar sua respiração, sua mente automaticamente se acalma.
A Filosofia do Yoga é a ciência de respirar bem e ensina a consciência da respiração para acalmar a mente e o estado emocional.
O Yoga recomenda a respiração abdominal, também chamada de respiração diafragmática. Essa respiração deve ser abdominal, silenciosa, nasal, harmônica e lenta.
Aprenda a respirar conscientemente
Vamos fazer uma vivência para você ter consciência dessa respiração:
1. Deite-se de costas em um lugar confortável. Ou pode também sentar-se em uma cadeira.

2. Coloque uma das mãos sobre o osso do peito e a outra sobre o umbigo.

3. Feche os olhos e observe o fluxo da respiração. Perceba o que se move quando você inspira e expira.

4. Se seu abdômen sobe e desce naturalmente, sem você forçar nada, você já está respirando de maneira abdominal. Se perceber que seu tórax está subindo e descendo a cada respiração, você ainda precisa praticar a respiração diafragmática.
A respiração abdominal acontece naturalmente quando você dorme ou relaxa profundamente, mas para que seu corpo registre isso acordado, e possa respirar assim na sua vida diária, é muito bom praticar isso com regularidade.
Perceba que ao inspirar, você distende os músculos do abdômen para os lados, fazendo o umbigo movimentar suavemente para frente. Ao expirar, perceba que os músculos do abdômen se contraem suavemente para dentro, trazendo o umbigo para dentro.
A respiração deve ser silenciosa, nasal, tranquila. Deixe que o ritmo natural da respiração se instale. Não faça nada para respirar. Não fique querendo controlar a respiração ou brigar com ela. Aceite o ar que entra em seu corpo como um carinho, aceite o ar que sai do seu corpo livremente, sem resistência.
Sinta a respiração tranquila como uma música de ninar você, como a canção da vida apaziguando você.
Gosto muito de relaxar, deitada, depois do almoço, ou antes, de dormir, colocando as mãos como descrevi acima para sentir a respiração diafragmática. Eu me entrego sentindo o vai e vem da respiração.
Além de fazer minha prática diária de meditação, sentada na cadeira, ou no chão de pernas cruzadas, eu pratico, com regularidade, esse relaxamento deitada, sentindo a percepção da respiração e me entregando Isso me revitaliza, acalma e me conduz a níveis muito profundos.
Estar consciente disso ajuda se a sentir os efeitos benéficos em suas vidas. Passam a dormir melhor, ficam menos ansiosos e começam a viver mais o momento presente.
Se você tem dificuldade para meditar sentado, seria bom praticar diariamente, por uns dez minutos, essa consciência da respiração diafragmática. Além de se acalmar, você terá mais facilidade para meditar.
Lembre-se de algo importante: você não está aprendendo a respirar, pois é a vida que respira em você. Você está apenas permitindo que o ritmo natural da respiração se instale. Você está se permitindo sentir momentos de apaziguamento, sentindo bem na sua própria companhia. Pratique e sinta-se cada dia melhor e melhor. Fique em paz! Namastê! Deus em mim saúda e agradece Deus em você!

INSÔNIA eleva o risco de hipertensão

Cerca de 25% dos brasileiros sofrem de insônia e a maioria são mulheres.A insônia é uma das maiores doenças da sociedade moderna comprometendo a maioria das tarefas diárias.
Os inimigos do travesseiro são varios,passam desde o stress,crises conjugais e sociais,excesso e sobrecarga nas tarefas diárias e cuidados com os familiares.
Muitas pessoas reorrem a medicamentos tarjados para combater a insônia ,sem sequer tentar tratamentos naturais primeiro.
Mas isto esta mudando,cada vez mais as pessoas estão buscando a tratamentos naturais,tais como:

*Medicina tradicional Chinesa
*Acupuntura
*Fitoterapia
*Massagem energética
*Homeopatia
*Reflexoterapia
*Hipnoterapia
*Aromaterapia
*Terapia Floral
*Meditação¨
*Tai chi
*Fototerapia
*Yoga

Encontra-se nas farmacias de manipulação e do comercio com o registro de laboratorios,alguns ativos
naturais que podem auxiliar neste distúrbio,tais como o fitoterápico VALERIANA-Valeriana officinalis L. A Valeriana possui ação sedativa,indicada para histeria,insônia crônica e nervosismo da menopausa.
Outro ativo que pode auxiliar é o LACTIUM-Composto por um biopeptídeo com alta atividade biológica ,extraida da caseinado leite,possui propriedades relaxantes e melhora naturalmente a qualidade do sono ,sem causar efeitos colaterais.


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Diferença entre FITOTERÀPICOS & REMÈDIOS NATURAIS

Fitoterápicos e remédios naturais

Drauzio Varela entrevista Anthony Wong ,ele é médico pediatra e toxicologista. Diretor-médico do CEATOX - Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e médico assistente doutor do Instituto da Criança.

PROPRIEDADES TERAPÊUTICAS
A UNIP desenvolve, na região do rio Negro, um programa de pesquisas sobre a propriedade farmacológica de determinadas espécies da flora amazônica. Os extratos obtidos dessas plantas são testados na presença de células tumorais malignas e de bactérias resistentes a antibióticos numa tentativa de identificar o composto ativo responsável pelo efeito desejado, uma vez que o extrato em forma de chá contém diversas substâncias diferentes. Isoladas, essas substâncias passam por um longo processo de estudos experimentais em animais de laboratório e depois por uma série de estudos clínicos em seres humanos. Esse processo consome pelo menos dez anos até que um medicamento alopático possa ser comercializado.
Quando se trata de remédios naturais, porém, não há o mesmo rigor. Eles são lançados no mercado sem obedecer à fiscalização mais séria, como se fossem absolutamente inócuos ou representassem uma panaceia universal para todos os males que nos afligem. Muitos, no entanto, não produzem efeito algum e outros podem até prejudicar nossa saúde.
DIFERENÇA ENTRE FITOTERÁPICOS E PRODUTOS NATURAIS
Drauzio – Qual a diferença entre fitoterápico e produto natural
Anthony Wong – O vocábulo fitoterápico é formado por duas palavras de origem grega: fito, que quer dizer planta, e terapia, que significa tratamento, medicação. Portanto, fitoterápicos são substâncias derivadas de plantas reconhecidas por sua eficácia e usadas há milhares de anos no tratamento de determinadas patologias. Remédios naturais são quaisquer substâncias retiradas na sua forma bruta da natureza, praticamente sem purificação alguma e utilizadas como medicamentos. Embora sejam quase sinônimos, os primeiros são produtos cuja ação já foi comprovada cientificamente, enquanto o conhecimento das propriedades medicamentosas dos segundos deriva da sabedoria popular e é transmitido de geração para geração.
Drauzio – Você poderia dar alguns exemplos?
Anthony Wong – Os fitoterápicos são apresentados sob a forma de ampolas, cápsulas ou pó para infusão. O ginseng é um exemplo clássico de fitoterápico, porque é conhecido há milhares de anos e tem eficácia comprovada. Ele é um tônico de múltiplas aplicações: ajuda a combater o desânimo, a impotência e a dor entre outros sintomas. Essa propriedade terapêutica variada advém do fato de o ginseng, que é extraído de uma planta, possuir vários compostos ativos ainda não identificados e de ação não totalmente conhecida.
REMÉDIO QUE SERVE PARA TUDO NÃO SERVE PARA NADA
Drauzio – Tive um professor na faculdade que dizia que remédio que serve para tudo, não serve para nada. Você concorda com isso?
Anthony Wong – Nesse caso, é preciso considerar o peso do efeito placebo. Quando uma pessoa se queixa de dores não muito específicas, remédio com efeito placebo tem valor inestimável. Em relação ao ginseng de que estávamos falando, até os especialistas divergem sobre a quantidade de espécies conhecidas e suas propriedades terapêuticas. De fato, embora tenham sido registradas mais de 150 espécies, existem apenas sete fitologicamente consideradas como ginseng. Sabe-se que, apesar de todas terem alguma utilidade para determinadas patologias, a potência é variável, pois dependendo da época da colheita, do local de origem, do solo e do clima, aumenta ou diminui a dosagem de seu princípio ativo e, consequentemente, aumenta ou diminui seu efeito. No caso do ginseng, ainda, como ele precisa ser purificado, em geral se conhece o nível de concentração dos componentes, mas é necessário tomar cuidado, pois dosagem maior pode provocar intoxicação séria.
Agora, imaginemos as consequências se a planta for usada em sua forma bruta. Nesse sentido, seu professor estava com a razão, uma vez que a substância ativa exigida para determinados distúrbios pode não estar presente na quantidade adequada. Além disso, em muitos casos, pode-se estar usando uma outra planta por engano. Aliás, uma causa importante de morte na China é justamente a intoxicação por produtos naturais. Ao colher uma raiz, a pessoa não muito hábil pode confundir-se e trocar os exemplares. Em 2001, em Hong Kong, 30 pacientes morreram de hepatite fulminante e 70 foram hospitalizados com doenças hepáticas graves.Certos de que estavam tomando remédio para os rins, tinham ingerido uma raiz hepatotóxica, Se isso acontece na China, país milenarmente conhecido pelo emprego da medicina natural, imagine o que pode acontecer no Brasil.
PRODUTOS NATURAIS PODEM FAZER MAL À SAÚDE
Drauzio – É importante desfazer o mito de que produtos naturais não fazem mal, não é mesmo?
Anthony Wong – Exatamente. É bom lembrar o seguinte: as três substâncias mais venenosas que existem são naturais. Uma, até a vovozinha bem intencionada pode oferecer, quando serve as compotas e conservas que preparou carinhosamente: os bacilos botulínicos. Embora seja usada no botox, a toxina do botulismo é o mais potente veneno que se conhece.
A segunda é encontrada num peixe, o baiacu, aquele que incha quando se toca nele. Na Bahia e no norte do país, já foram registrados vários casos de intoxicação grave porque as pessoas comeram esse peixe sem retirar as glândulas que contêm o veneno. O terceiro vem de uma planta e é usado para fabricar um raticida potentíssimo.
Para ser mais preciso, das dez substâncias mais tóxicas que se conhece oito são naturais. Diante de certas circunstâncias e exagerando um pouco, talvez valha mais a pena comer um hambúrguer do que aceitar um remédio ou um sanduíche natural.
KAWA-KAWA
Drauzio – Além do ginseng, a kava-kava também é muito popular?
Anthony Wong – O consumo da kava-kava está disseminado no mundo inteiro. Na Alemanha, um dos países que mais fazem uso de fitoterápicos, era um dos remédios mais vendidos. Trata-se de um tranquilizante. Estudos mostraram, porém, que certas variações de kava-kava, quando não bem purificadas, podem provocar doenças hepáticas graves e até mortes. Por causa disso, esse medicamento já foi retirado do mercado europeu. No Brasil, continua sendo vendido apesar do alerta levantado. Como se vê, estudos epidemiológicos estão evidenciando a verdadeira dimensão da utilidade e do risco que representam os remédios naturais.
ERVA-DE-SÃO-JOÃO
Drauzio – E o que dizer da erva-de-são-joão que é tão popular no Brasil?
Anthony Wong – A erva-de-são-joão é o remédio fitoterápico mais vendido no Brasil. O Hipericum perforatum, nome científico dessa planta, é usado como antidepressivo. Atualmente, há estudos contestando sua eficácia nesse campo, mas muitas pessoas com depressão ou desânimo e submetidas a tratamento com essa erva garantem que ela surte bons resultados. Talvez seja mais um caso de efeito placebo.
No entanto, aqui fica mais um alerta sobre os fitoterápicos. É voz corrente que se não fazem bem, mal não fazem. O Hipericum, se tomado com remédios antirretrovirais, normalmente usados no tratamento da AIDS, com a ciclosporina, que combate a rejeição de órgãos transplantados, com a digoxina, com pílulas anticoncepcionais e diazepínicos, entre outros, reduz em 40% a eficácia desses medicamentos. Que risco isso representa? É fácil deduzir. Suponhamos um paciente fazendo tratamento contra AIDS e tomando o coquetel, vitaminas e, às vezes, talidomida, que se sente deprimido e ouve falar de um remédio natural que pode melhorar seu ânimo. O que acontece? Ele resolve experimentá-lo e, de repente, sua doença se agrava. O mesmo pode ocorrer com os indivíduos transplantados. Inseguros por causa do transplante, eles decidem tomar um remédio natural que infelizmente vai interferir na ação dos medicamentos fundamentais para a aceitação do órgão transplantado.
FUTURO DOS PRODUTOS NATURAIS E FITOTERÁPICOS
Drauzio – Nos tratamentos contra o câncer, é comum a família e os doentes receberem sugestões de remédios naturais e fitoterápicos, naquela base de se não fizerem bem, mal não fazem. Então, o paciente chega no consultório e pergunta se determinado produto apresenta alguma contraindicação. Como saber se a amostra não tem rótulo, não tem bula nem indicação dos componentes ativos?
Anthony Wong – É realmente muito complicado. No entanto, é bem provável que a medicina natural e principalmente os fitoterápicos tenham um futuro bastante promissor, porque a síntese dos medicamentos alopáticos está chegando ao fim. Muitas indústrias farmacêuticas estão enfrentando problemas sérios por não possuírem nenhuma síntese nova para apresentar nos próximos anos e correm o risco de ver, com o tempo, muitos de seus produtos perderem o direito à patente e se tornarem genéricos. A solução, talvez, seja recorrer aos medicamentos naturais e fitoterápicos, mas é indispensável antes sujeitá-los a ensaios clínicos mundialmente aceitos e respeitados.
Estive na China há seis anos para dar uma aula de toxicologia e conheci o pessoal da medicina tradicional chinesa. Eles possuem uma biblioteca imensa, mas descrevem apenas poucos casos embora acompanhados durante um período bastante longo. À luz do que conhecemos como investigação científica, fica difícil aceitar essa conduta de trabalho, apesar de ser inegável o seu valor. Afinal, os chineses atravessaram os séculos sendo cuidados de acordo com os conceitos apregoados por esse tipo de medicina que, se não é curativa, pelo menos é preventiva. Pessoalmente, admito sua capacidade curativa, mas é preciso saber como sintetizar os princípios ativos de cada planta.
Drauzio – Em geral, a pessoa faz chás com esses produtos naturais. Na verdade, essa infusão é uma mistura de inúmeras substâncias das quais algumas podem fazer efeito e outras não. Faz sentido tomar essa quantidade de substâncias inócuas ou mesmo tóxicas para obter uma da qual não se pode calcular a concentração exata do princípio ativo, nem precisar a dosagem e a duração do tratamento?
Anthony Wong – Esse alerta é oportuno para todos que resolverem experimentar fitoterápicos ou medicina natural. Primeiro, porque há necessidade de realizar mais estudos sérios e planejados quanto ao princípio ativo. Depois, por causa da multiplicidade e complexidade de composições de cada produto. Só no ginseng foram identificados 120 componentes potencialmente ativos. Aí começa o dilema: serve para tudo ou não serve para nada? De fato, alguns acabam tendo muitas aplicações exatamente por essa característica. O médico não deixa de associar vários medicamentos, apesar do risco de efeitos colaterais, quando trata de alguém que quer perder peso ou é portador de um caso complicado de diabetes.
De qualquer modo, a fitoterapia e a medicina natural têm passado com certeza e, acredito, provavelmente terão futuro. A elas está reservado um lugar importante na terapêutica ocidental, desde que indicadas por quem tenha conhecimento e experiência a respeito do assunto.
Nesse campo, o Brasil, possuidor de biodiversidade exuberante, é um País que tem tudo para destacar-se. Para tanto, é preciso dinheiro, seriedade e cientistas que se dediquem à pesquisa das propriedades de novas substâncias.
EFEITOS DO ARSÊNICO
Drauzio – O efeito do arsênico pode ser considerado paradoxal. Você poderia explicar como isso acontece?
Anthony Wong – O arsênico é tóxico e o trióxido de arsênico são um dos mais poderosos poluentes ambientais. Em Bangladesh, por exemplo, já ficou provado que as pessoas apresentam problemas graves de saúde, porque a água é contaminada por esse elemento. No entanto, em recente congresso médico, foi discutido que o trióxido de arsênico As2O3 é uma das mais promissoras moléculas para o combate ao câncer. Só o FDA (Food and Drugs Administration), órgão respeitado internacionalmente, reconhece mais de doze indicações formais – por exemplo, leucemia mieloide aguda, leucemia mieloide crônica, leucemia linfoide, câncer de pulmão do tipo pequenas células, etc. – para o uso de arsênico só que em doses infinitamente pequenas. Dados como esse me fazem crer que será necessário rever antigos conceitos da medicina e o conhecimento que temos a respeito de medicamentos fitoterápicos para estabelecer novos critérios terapêuticos.
EMPREGOS TERAPÊUTICOS DO BOTOX
Drauzio – Você falou da toxina do botulismo, o pior veneno conhecido pelo homem e, no entanto, muitas pessoas injetam essa toxina, o famoso botox, para eliminar as rugas. Essas pessoas correm algum perigo?
Anthony Wong – O botox tornou-se popular recentemente por causa de sua aplicação plástica para reduzir rugas. No entanto, ele já era indicado há mais de dez anos para o tratamento de contraturas musculares espásticas e dos problemas neurológicos que se manifestam em contraturas musculares periódicas e involuntárias, nas quais o músculo se contrai espontaneamente, sem avisar. Para essas pessoasm o botox pode ser uma excelente indicação, assim como o é para crianças com paralisia cerebral que estão com os membros endurecidos. Antigamente, para resolver o problema era necessário operar, cortar os músculos, soltar o tendão ou prescrever um remédio caríssimo que nem sempre funcionava e podia ser tóxico. Hoje, uma simples injeção de botox pode tornar mais fácil o controle da criança e muitas até começam a andar depois de receber o medicamento. Atualmente, além do botox injetável existe um outro de uso tópico em forma de pomada ou de creme que, segundo consta, também funciona.
Há, porém, uma contraindicação. Se usado repetidamente, não só o botox, que é uma proteína, mas os veículos em que é diluído podem provocar uma reação alérgica, causando inchaço e endurecimento no local em que foi aplicado. E tem mais: é preciso prestar muita atenção, porque o botox está sendo manipulado sem o menor critério por profissionais despreparados. Nesse caso, o risco de infecção é grande e as consequências são péssimas. A infecção pode resultar em fibrose, um endurecimento da pele, ou até em necrose, isto é, na destruição dos tecidos. Portanto, atenção: botox só deve ser aplicado por mãos competentes. O Conselho Regional de Medicina pode ajudar a escolher a pessoa habilitada para o serviço, de preferência, um médico.
GUARANÁ EM PÓ
Drauzio – Muita gente afirma que se sente mais disposta depois de tomar guaraná em pó. Por que ele produz essa sensação agradável?
Anthony Wong – O guaraná em pó possui uma das maiores concentrações de cafeína que se conhece. Tanto é assim que, há 15 anos, era indicado no tratamento de crianças hiperativas em vez da ritalina e dos antidepressivos que se receitam hoje. Provavelmente, porém, como todas as substâncias naturais, deve possuir outros componentes ativos e nem todas as pessoas respondem da mesma forma ao seu uso. Eu tentei guaraná em pó uma vez. Sabe o que aconteceu? Fiquei com sono e dormi a tarde inteira. Comigo não deu certo. O efeito depende da reação de cada organismo.
QUINTOSANA E OS NÍVEIS DE COLESTEROL
Drauzio – E o que dizer da casca de camarão cujo uso tem-se difundido bastante nos últimos anos?
Anthony Wong – A casca do camarão é uma substância totalmente inerte que funciona igualzinho às fibras das verduras, isto é, estimula o trânsito intestinal. No entanto, existe na casca do camarão uma substância, a quitosana, encontrada também em outros alimentos (a aveia, por exemplo, é o único autorizado pelo Food and Drugs Administration para colocar isso em seu rótulo), que tem a propriedade de baixar os níveis de colesterol do sangue. A quintosana, ao estimular o trânsito intestinal, ajuda a diminuir a absorção de gordura o que reverte em menor risco de infarto. Ela não é remédio. Sua ação é meramente física.
No caso específico da casca do camarão, há um problema a considerar. Os animais provenientes de algumas regiões da Ásia podem estar contaminados por cromo, um elemento cancerígeno. Portanto, enquanto o Ministério da Saúde não autorizar o registro dos medicamentos à base de camarão, é bom não tomar esses remédios, porque podem ter efeitos colaterais indesejáveis. Artigo publicado recentemente numa revista especializada versou sobre o quadro de intoxicação por cromo de um paciente que estava usando casca de camarão com a finalidade de baixar o colesterol.
REMÉDIOS NATURAIS PARA EMAGRECER E PARA AUMENTAR A MUSCULATURA
Drauzio – Qual sua opinião a respeito dos remédios naturais para emagrecer?
Anthony Wong – A única forma natural de emagrecer é fechar a boca, ou seja, apelar para a força de vontade. Se analisarmos os remédios naturais para emagrecimento que existem no mercado, chegaremos à conclusão de que não há vantagem no seu consumo. Praticamente todos contêm anfetaminas para tirar o apetite, hormônios tiroideanos para acelerar a queima de gorduras ou são laxantes e diuréticos. Nós investigamos os componentes de algumas dessas fórmulas ditas naturais. As mais eficazes continham anfetaminas e tiroxina, ou seja, produtos alopáticos disfarçados sob a nomenclatura de naturais. Chegamos a essa conclusão, ao acompanhar um trabalho de controle do uso de drogas em algumas empresas. O exame de urina dos empregados ou candidatos a vagas era pedido para controlar a presença ou não de anfetamina, cocaína, metanfetamina, maconha e opiácio. Quando se detectava algo estranho e se perguntava a respeito dos hábitos da pessoa, a resposta mais comum era que estavam tomando remédios naturais para emagrecer. Outros estavam usando medicamentos naturais contra asma.
Drauzio – E o que se pode dizer a respeito desses remédios, que estão na moda, para aumentar a massa muscular?
Anthony Wong – A respeito disso, gostaria de me dirigir aos jovens que estão tomando esses produtos para aumento da massa muscular. Não conheço nenhum que não possua alguma substância condenada pelo COI (Comitê Olímpico Internacional). Todos contêm hormônios, ou anabolizantes, ou excesso de proteína, principalmente de creatina, porque milagre só existe um e se chama dedicação. O melhor é adotar uma dieta variada, rica em proteínas e verduras e evitar complementos vitamínicos, porque até vitaminas em excesso fazem mal.

terça-feira, 16 de abril de 2013

PARA DESCANSAR A ALMA...

Para Descansar a Alma

"Arranje um cantinho sossegado e uma almofada gostosa. Acenda um incenso de sândalo. Sente-se com as costas bem retas. Coloque as mãos sobre os joelhos, com as palmas para cima e balance o corpo lentamente da esquerda para a direita, de movimentos maiores a movimentos menores, como um pêndulo, até encontrar o centro de equilíbrio do corpo.
Pare aí. Inspire profundamente e solte o ar lenta e completamente pela boca. Relaxe os ombros. Inspire novamente e solte o ar pela boca. Então cerre os lábios, coloque a ponta da língua no céu da boca e respire pelas narinas. Mantenha os olhos entreabertos, apenas pousados a sua frente.
Ouça todos os sons. Sinta todas as fragrâncias. Perceba o ar, a temperatura em sua pele. Você está pensando? Ou não está pensando? Verifique sua postura. Costas eretas. Cabeça como se um fio puxasse para o céu. Pernas firmes pela força da gravidade. Não julgue. Nem certo nem errado, nem bonito nem feio. Seja. Apenas sentar. Intersendo com tudo que existe. Que bom estar viva. Este instante aqui e agora é o céu e a terra. Isso é tudo. Tudo é nada."
Monja Coen

domingo, 14 de abril de 2013

Não ha nada melhor que nos reencontrar com o espelho interior que habita nossa alma,conheça e reconheça a si mesmo e todos te respeitarão..

 

CHÁ DA FOLHA DO CHUCHU E HIPERTENSÃO

O chá de suas folhas baixa a pressão e é diurético.
Planta trapadeira, herbácea, anual, folhas codiformes, longo-pecioladas, flores unissexuais, amareladas. Originário do México.
Princípio Ativo : Carbohidratos, proteínas, sais de cálcio, fósforo e ferro, vitaminas A, B1, B2 e C.
Partes Usadas : Folhas.


Uso Popular : O chá das folhas é diurético, cardiotônico, hipotensos e anti-diabéticos. Embora considerada por muitos como legume, o chuchu é uma fruta. Apesar do gosto pouco marcante, apresenta importantes propriedades: além do alto teor de fibras, é uma importante fonte de minerais como ferro, magnésio, potássio, fósforo e cálcio.
Indicado para combate a hipertensão. Ingerir o chuchu como parte importante da refeição e tomar o chá diariamente, regulariza a pressão alta.

Modo de usar:
4 folhas p/1 litro de agua fervente,tomar ao longo do dia.

sábado, 13 de abril de 2013

FLORAIS , MEDO e AGORAFOBIA

Florais de Bach – como combater o MEDO

 
O Dr. Edward Bach, em seus estudos sobre o comportamento humano, identificou algumas emoções que, em graus elevados, podem perturbar nossa vida, prejudicando nosso bem-estar e nossa resposta positiva às situações do dia-a-dia.
Uma dessas emoções é o MEDO.
O Dicionário Houaiss define medo como: “Estado afetivo suscitado pela consciência do perigo ou que, ao contrário, suscita essa consciência.” E mais: “Temor, ansiedade irracional ou fundamentada; receio. Desejo de evitar, ou apreensão, preocupação em relação a (algo desagradável).”
Sabemos que o medo é uma emoção que nos permitiu sobreviver, desde o inicio da vida humana. Frente à percepção de perigo, o medo nos estimula à ação de luta ou de fuga, ou nos deixa imobilizados. O medo tem por objetivo promover a sobrevivência.
A maioria de nós não precisa mais lutar (ou correr) por nossas vidas na selva, mas o medo está longe de ser desaparecer, pois continua servindo ao mesmo propósito. O que mudou foram só os estímulos, já que corremos o mesmo risco que corríamos há centenas de anos e nosso medo ainda serve para nos proteger da mesma forma que nos protegia antes.
Para o ser humano, além do instinto, também há outros fatores envolvidos no medo. O ser humano pode ter o dom da antecipação, o que nos faz imaginar coisas terríveis que poderiam acontecer ( E se…. )A antecipação de um estímulo de medo pode provocar a mesma reação que teríamos se vivêssemos a situação real e isso também é um benefício obtido com a evolução. Há, também, o condicionamento, motivo pelo qual algumas pessoas temem cachorros, ao passo que outras os consideram praticamente um membro da família.
Diante das pressões do mundo moderno, nossa resposta aos sinais de perigo ou estresse pode tornar-se exagerada, gerando mais dificuldades do que benefícios.
Esse desequilíbrio emocional tem contribuído decisivamente para que muitos vivam em constante sensação de fragilidade e insegurança, despertando o medo patológico.
E como combatê-lo?
O Dr. Bach identificou alguns tipos de medo e o antídoto floral para neutralizá-lo.
ASPEN
para quem sofre por : medos vagos e espirituais, teme as manifestações sobrenaturais, sonambulismo; enurese noturna, bruxismo; pesadelo; mudanças de humor inexplicáveis
( “Tenho apreensões…”)
- favorece o desenvolvimento da coragem para viver o novo com alegria e confiança. Paz interior, segurança. Usar as percepções interiores de forma positiva. Calma e tranquilidade; calmante natural.
CHERRY PLUM
- para quem sofre por : Pensamentos irracionais; medo de perder o controle emocional e mental; autodestruição; tendência suicida; impulsividade; automutilação; fúria; agitação, compulsão; terror e enurese noturna; pesadelos. (“Tenho medo de que eu possa cometer algo terrível. “)
- favorece o desenvolvimento do autocontrole físico, emocional e mental; clareza dos sentimentos em conflito. Serenidade e clareza.
MIMULUS
- para quem sofre por : Medo de coisas concretas; medo de doenças, acidentes, ladrão, chuva, etc; hipocondria; gagueira; timidez; medos de provas. (” Me dá medo.”)
- favorece o desenvolvimento da espontaneidade, coragem de ser você mesmo. Segurança,vontade de aceitar desafios e correr riscos.
RED CHESTNUT
- para quem sofre por : Ficar superapreensivo com o bem estar dos outros; medo excessivo de que ocorram infortúnios com os entes queridos. (“Tenho tanto medo por eles.”)
- favorece o desenvolvimento do pensamento positivo e protetor para com os entes queridos. Confiança na capacidade que os outros possuem de se defender e se proteger.
ROCK ROSE
- para quem sofre por : Pânico, medo extremo, terror, desespero, pesadelo, distúrbios noturnos e doenças graves. O medo que somatiza. Sente a morte. (“Estou aterrorizado!”)
- favorece o desenvolvimento da coragem heróica, presença de espírito; coragem para enfrentar a morte; resgate. Ação e clareza.
Buscando o autoconhecimento e a autocura, é possível vencer o medo doentio, alcançando o equilíbrio emocional.
 

Agorafobia(Drauzio Varela)

Dr. Tito Paes de Barros Neto é médico psiquiatra. Supervisor do Ambulatório de Ansiedade (AMBAN) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e assistente do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, publicou o livro "Sem medo de ter medo – um guia prático para ajudar pessoas com pânico, fobias, obsessões, compulsões e estresse" (Ed. Casa do Psicólogo, 2000)
Quando era estudante de Medicina, tive uma experiência com uma amiga que encontrei na porta do prédio onde haveria uma festa no 15º andar. Fui para o elevador e ela se dirigiu para as escadas. “Prefiro ir pelas escadas. Tenho medo de elevador” foi o que me disse. Eu insisti e insisti para que subíssemos juntos, e ela acabou concordando. Lá pelo 7º andar, entrou numa crise de pânico tão desesperado que apertei o botão de emergência. O elevador parou e nós subimos pela escada até o local da festa.
Minha amiga era portadora de um transtorno chamado claustrofobia (medo de lugares fechados) no qual a ansiedade é desencadeada por situações que para os outros não representam perigo nem ameaça.
A agorafobia é outro distúrbio de ansiedade que, na maioria das vezes, está associado às crises de pânico. Formada por dois radicais gregos – ágora, nome dado às praças onde se realizavam trocas de mercadorias ou reuniões do povo e fobos, que quer dizer medo, – inicialmente, a palavra era empregada para indicar o medo que as pessoas sentiam em lugares abertos. Hoje, o significado é muito mais amplo. Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiatra Americana (DSM-IV), a palavra é usada para definir comportamentos de esquiva, que aparecem quando a pessoa se encontra em situações ou locais dos quais seria difícil ou embaraçoso escapar ou mesmo receber socorro se algo de errado acontecesse. Nos casos mais graves, a agorafobia compromete a vida social e profissional dos pacientes.
CARACTERÍSTICAS
Drauzio – O que caracteriza a agorafobia?
Tito P. de Barros – A principal característica da agorafobia é estar associada ao transtorno de pânico. Geralmente, a pessoa relaciona esse transtorno a determinadas situações ou ambientes e passa a evitá-los com medo que deflagrem ataques de pânico. Por exemplo, sair de casa sozinha. Se algum dia ela saiu de casa a pé ou de carro e passou mal no trânsito, evita sair desacompanhada. Precisa sempre de alguém de confiança por perto. Mesmo dentro de casa, se teve um ataque de pânico, dormindo ou enquanto tomava banho, não consegue mais ficar sozinha.
As situações que desencadeiam o processo são muitas. O agorafóbico teme enfrentar congestionamentos, passar por túneis e pontes, viajar em estradas que não tenham telefones de emergência instalados a cada um ou dois quilômetros, porque julga que sair dali será difícil ou embaraçoso ou, ainda, porque o socorro não estará disponível se ocorrer uma emergência.
Drauzio – O ataque de pânico associado a uma fobia específica – medo de ficar preso no elevador, por exemplo, – costuma estender-se a outras situações da vida diária?
Tito P. de Barros – Pode restringir-se, como pode generalizar-se. Isso depende de uma série de fatores, inclusive da personalidade. Se a pessoa for mais vulnerável biologicamente ou às condições determinadas pelo ambiente e pela educação, pode ampliar um quadro de fobia específica para um quadro de agorafobia ampla.
Há indivíduos que só apresentam manifestações fóbicas, de ansiedade, em ambientes fechados. O caso da sua amiga que teve um ataque de pânico situacional por estar dentro de um elevador fechado é típico da claustrofobia (uma forma restrita de agorafobia), mas diferente do da bilheteira de cinema que não conseguia ficar dentro da cabine com a porta fechada, o que estava criando problemas com o gerente. Essa evitava qualquer tipo de lugar fechado. Não entrava em elevadores, nem utilizava o metrô com pavor de que parasse nos túneis e ela não conseguisse escapar.
Drauzio – Às vezes, parece que esses imprevistos acontecem mais quando pessoas com medo estão por perto…
Tito P. de Barros – É a lei de Murphy. Essas pessoas superestimam a possibilidade da ocorrência de um evento negativo, por uma distorção de pensamento que chamamos de distorção cognitiva. Elas evitam, por exemplo, pegar o metrô porque, na cabeça delas, certamente ele vai parar dentro do túnel, o que será um desastre em suas vidas.
CAUSAS
Drauzio – Qual a fisiopatologia desse tipo de distúrbio, uma vez que sentir medo é absolutamente normal e foi essencial para a sobrevivência de nossa espécie?
Tito P. de Barros – Provavelmente, existe vulnerabilidade biológica ou genética para alguns transtornos. No entanto, não existem estudos conclusivos sobre transtornos como a agorafobia e a fobia social.
Uma das teorias é que condicionamento aversivo ou experiência desagradável possam detonar o processo. Um exemplo é o da pessoa que estava num elevador lotado quando ele enguiçou. Até aí nada demais, se ela não tivesse se sentido mal e vomitado. A partir dessa experiência desagradável, ela deixou de entrar em elevadores temendo que algo parecido lhe acontecesse de novo.
A outra teoria é a educação. Pais superprotetores criam filhos chamando muito sua atenção para os perigos da vida. Por isso, a pessoa pode desenvolver fobia de avião, mesmo sem ter tido qualquer experiência aversiva, nem sequer entrado num avião, se crescer num ambiente em que o tempo todo a família conversa sobre desastres aéreos e o número de mortes.
FOBIAS ESPECÍFICAS
Drauzio – Barata é um inseto pelo qual a pessoas sentem aversão. Mulheres, especialmente, costumam ter medo de baratas. Algumas têm pavor e são capazes de atos arriscados para escapar de um ambiente onde haja uma barata. Qual a diferença entre uma reação aceitável diante de um estímulo aversivo e uma reação exagerada?
Tito p. de Barros – No caso da fobia de baratas, o interessante é que incide mais nas mulheres do que nos homens, na proporção de 8, 9 mulheres para cada homem. Há até um livro do Henfil, chamado ”Diário de uma Cucaracha“ em que existe a ilustração de uma barata no canto inferior direito da capa. Esse mesmo livro tem uma edição especial para mulheres, com uma tarja branca sobre a ilustração.
De certa forma, a aversão a baratas está cercada de certos comportamentos histriônicos, cômicos até. As pessoas têm nojo, acham o inseto horripilante, gritam, sobem nas cadeiras, saem correndo, mas tal reação nem sempre reflete o medo patológico próprio dos quadros fóbicos. Tive uma paciente com fobia de baratas que trabalhava com os pés em cima do cesto de papéis com medo de que uma barata subisse por suas pernas e revistava os ambientes à procura de orifícios por onde os insetos pudessem passar.
Drauzio – Que outros animais costumam provocar esse tipo de reação fóbica?
Tito P. de Barros – Em geral, cachorros, gatos e pássaros. Existem pessoas que evitam andar nas ruas com medo de que pombos esvoacem sobre elas.
Drauzio – Um pintinho recém-nascido foge apavorado se uma sombra de asas batendo incidir sobre ele. Não é um comportamento aprendido. O reflexo de fugir de objetos voadores ou de aves predatórias está geneticamente condicionado neles. Existe explicação genética para as sensações provocadas pelas crises de pânico?
Tito P. de Barros – É bem provável que exista na síndrome do pânico. A teoria é que, nesses casos, um falso alarme dispara sem razão e a pessoa reage como se tivesse um problema físico. Como numa bola de neve, os sintomas (aceleração do batimento cardíaco, tremor, respiração ofegante, sudorese, tontura) aumentam o medo e a intensidade da crise e ela se sente à beira de um infarto ou derrame.
O comportamento dos pintinhos faz lembrar que, no reino animal, o olhar do predador fixo sobre a presa é um sinal de perigo. O interessante é que o fóbico social também se sente acuado quando as pessoas olham para ele. Imagina estar sendo observado e avaliado, de preferência negativamente, o que aumenta o grau de ansiedade.
PREVALÊNCIA
Drauzio – Segundo a psiquiatria clássica, as mulheres têm mais depressão, mais distúrbios de ansiedade e mais distúrbios alimentares. Os homens, mais reações agressivas e maior abuso de drogas. Mulheres são mais suscetíveis aos ataques de pânico do que os homens?
Tito P. de Barros – Não sei se os ataques de pânico são mais prevalentes nas mulheres, ou se elas são mais sinceras para admitir as crises. Estudos indicam, porém, que depressão, pânico, ansiedade e fobia social são distúrbios que acometem mais o sexo feminino. Tenho algumas dúvidas a respeito desses achados, porque envolvem aspectos culturais que acabam interferindo na vida prática: homem não chora, não sente medo, não entra em pânico. Talvez, um estudo que aplique metodologia diferente não revele os mesmos valores.
Drauzio – São mais comuns as claustrofobias ou as fobias sociais que se manifestam em ambientes abertos?
Tito P. de Barros – Os resultados dos estudos variam muito, mas pode-se dizer que os quadros de fobia social e de agorafobia são mais prevalentes do que os de pânico, e que as fobias específicas (de animal, de altura, de lugares fechados) são muito comuns.
Drauzio – É possível definir a história natural da evolução das fobias quando não tratadas?
Tito P. de Barros – Em alguns casos, podem ocorrer períodos de melhora, mas em muitos deles a evolução é crônica, sem períodos de remissão, e o quadro pode agravar-se com o uso de substâncias químicas como o álcool e os tranquilizantes (benzodiazepínicos).
Drauzio – O abuso de drogas é frequente nos portadores de fobias?
Tito P. de Barros – Não é frequente, mas pode acontecer. Às vezes, os fóbicos conseguem a receita para comprar tranquilizantes com médicos conhecidos e vão tomando por conta própria até tornarem-se dependentes dessas substâncias que são contra-indicadas para o tratamento desses transtornos.
TRATAMENTO
Drauzio – Como deve ser conduzido o tratamento das fobias?
Tito P. de Barros – O tratamento das fobias em geral e das fobias específicas baseia-se numa técnica chamada de auto-exposição ao estímulo fóbico e consiste no enfrentamento gradual das situações que provocam medo. Para tanto, é construída uma lista hierárquica de situações. À medida que vai enfrentando o medo, a pessoa atribui uma nota entre zero e dez para nível de ansiedade e só passará para outro degrau da hierarquia, quando não houver mais nenhum desconforto diante daquele estímulo.
Vamos dar o exemplo da pessoa que não consegue sair de casa. O primeiro desafio proposto é chegar ao portão e ficar por alguns minutos na frente do prédio onde mora. Depois, deverá ir até a esquina, dar uma volta no quarteirão, ir à padaria e à banca de jornais que ficam a quatro quadras da residência e assim sucessivamente de forma a ampliar seu raio de ação.
Drauzio – Ela consegue fazer isso sozinha e sem medicação?
Tito P. de Barros – Consegue, se a hierarquia for bem construída e começar pelos níveis menores de ansiedade. A chance de sucesso desse tipo de tratamento gira em torno de 80%.
No que se refere à medicação, alguns antidepressivos são indicados para controlar os ataques de pânico, mas esses remédios não funcionam nos casos de esquiva fóbica. A pessoa precisa enfrentar as situações que provocam medo. Se tiver dificuldade de fazê-lo ao vivo, recorre-se a uma técnica chamada dessensibilização sistemática ou exposição à imaginação.
Drauzio – Como se aplica esse tipo de técnica?
Tito P. de Barros – A pessoa começa fazendo relaxamento. Depois, imagina uma série de cenas ou situações ligadas ao estímulo fóbico. Essa exposição no campo da imaginação ajuda-a a baixar o nível de ansiedade de tal forma que, quando tiver de enfrentar a situação ao vivo, ele estará bem mais tolerável.
Tive a oportunidade de tratar uma paciente com fobia de cachorro usando essa técnica. Ela não conseguia sequer aproximar-se de um filhote. Então, durante várias sessões, depois do relaxamento, passou a imaginar cenas em que apareciam cães e, mais tarde, foi capaz de entrar em contato direto com esses animais.
Drauzio – No caso da moça que trabalhava com os pés elevados por medo de que uma barata subisse neles, como você conduziria o tratamento aplicando a técnica de dessensibilização sistemática?
Tito P. de Barros – Começaria com a palavra barata que ela não conseguia pronunciar sem sentir ansiedade. Por isso, referia-se ao animal como aquele inseto. Depois a faria olhar para o desenho de uma barata e para uma foto. A seguir, mostraria uma barata de plástico – algumas são simulacros perfeitos do inseto – e a daria para colocar na bolsa e levar para casa. Assim, vencendo etapas intermediarias da hierarquia, a moça iria se dessensibilizando até ter coragem de entrar em contato com baratas de verdade.
Drauzio – Algumas crianças têm pavor do escuro. Como você orienta esses casos?
Tito P. de Barros – Não tenho experiência com crianças, mas o procedimento de dessensibilização é o mesmo do indicado para os adultos. O ideal seria trabalhar com diferentes graus de intensidade de luz que ajudariam a aliviar o medo da escuridão total. Para tanto existem lâmpadas com reostastos que permitem regular a intensidade da luz, níveis diferentes de abertura de porta que dão para um corredor iluminado ou bonecos vaga-lumes que emitem luz própria.
Drauzio – Como agir com as crianças com medo do escuro que não conseguem dormir se não tiverem um adulto ao lado?
Tito P. de Barros – Os pais devem aguardar que a criança com medo adormeça, mas o tempo que ficam a seu lado deve ir diminuindo gradativamente e precisam incentivar a criança a dormir sozinha. Tudo feito de forma muito gradual, sem pular etapas.
Drauzio – Crianças com medo do escuro têm tendência a manifestar distúrbios de ansiedade como a síndrome do pânico mais tarde na vida?
Tito P.de Barros – Com medo do escuro, não. Mas existe uma síndrome de ansiedade de separação que se manifesta na infância e que está relacionada com a síndrome do pânico. Parece que criança com dificuldade para afastar-se dos pais e de adaptar-se na escola tem predisposição para desenvolver pânico. No entanto, tal comportamento pode ser reflexo de uma característica de personalidade própria das pessoas dependentes que precisam sempre de alguém para apoiar-se, para pedir opinião, para decidir o que fazer. Essas têm maior tendência ao pânico.